Resumo
Esta aula obtém limites que as regras da álgebra dos limites não alcançam, comparando a função com outras cujo limite se conhece. Primeiro demonstra-se que os limites conservam as desigualdades não estritas; depois, o teorema do confronto, que se reduz ao critério da cota da aula precedente sem nenhum argumento épsilon-delta novo, e seu caso mais usado: o produto de uma função limitada por outra que tende a zero. Com a cota do seno, demonstrada em Álgebra e Geometria II, prova-se que o seno e o cosseno têm limite em todo ponto, igual a seu valor. A desigualdade entre o seno, o arco e a tangente dá então o limite fundamental , do qual as regras já conhecidas deduzem os demais limites trigonométricos. Os problemas aplicam o teorema do confronto, calculam limites trigonométricos com mudanças de variável e obtêm o limite de .
Objetivos de aprendizagem
- Demonstrar a conservação das desigualdades, com a conservação do sinal, e, com o critério da cota, o teorema do confronto e o limite do produto de uma função limitada por outra que tende a zero.
- Demonstrar que o seno e o cosseno têm limite em todo ponto, igual a seu valor, e deduzir o da tangente.
- Demonstrar o limite fundamental e deduzir dele os limites de , , e .
- Calcular limites por comparação e limites trigonométricos, justificando cada passo com os teoremas da aula.
Limites que as regras não alcançam
Na aula sobre a álgebra dos limites, toda forma foi resolvida transformando a expressão até simplificar um fator comum. O quociente , quando tende a , não admite esse tratamento: o seno não é um polinômio, e nenhuma fatoração faz aparecer o fator no numerador. Tampouco a regra do produto decide o limite de em , porque o fator não tem limite, como se pediu demonstrar no problema proposto 3 da aula sobre o limite de funções de uma variável real.
Ora, em ambos os casos a função fica presa entre outras duas mais simples: o valor absoluto de não excede , e o quociente está, como se verá, entre e . Se isso é assim, convém demonstrar uma única vez que uma função presa entre duas que tendem ao mesmo número tende também a ele. As demonstrações desta aula seguem o plano da precedente: cada resultado se reduz a uma desigualdade, e o critério da cota, ou a ferramenta que dele se deduziu, faz o resto.
Mantêm-se as convenções da aula precedente: , e são funções reais definidas num mesmo conjunto , o ponto é de acumulação de , e que algo se cumpra «perto de » significa que existe um tal que todo de com o cumpre. Recorde-se a ferramenta com que terminou a seção dos três lemas: se e , toda função que cumpra perto de uma cota como a que vem a seguir, com , tende a .
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