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Topos Uranos

Resumo

Esta aula encerra a unidade dedicada à geometria analítica do plano. Reúne numa cadeia dedutiva o que foi demonstrado em suas nove aulas, desde a fórmula da distância até o teorema dos vértices da programação linear; mostra como a unidade se apoia nas precedentes, em particular no completamento de quadrados, no discriminante e nos quadros de sinais, e como prepara a próxima unidade, cujas funções transcendentes descrevem de novo a hipérbole. Propõe depois uma avaliação de saída, paralela à de entrada, e termina com dez desafios, de dificuldade superior à dos problemas propostos nas aulas, que exigem combinar várias delas e encontrar em cada caso a ideia que abre o caminho.

Objetivos de aprendizagem

  1. Enunciar os resultados principais da unidade e explicar como cada um depende dos precedentes.
  2. Relacionar os métodos da unidade com os das unidades precedentes e com os da próxima unidade.
  3. Resolver problemas que combinam retas, vetores, cônicas e desigualdades, escolhendo entre a definição métrica de uma curva, sua equação e o discriminante o instrumento mais eficaz.
  4. Traduzir condições de mínimo, de tangência e de lugar geométrico em equações, e verificar que a equação obtida descreve exatamente o conjunto procurado.

O que a unidade alcançou

As coordenadas, a reta e os vetores

A unidade começou com uma só ideia: identificar cada ponto do plano com o par de suas coordenadas. Daí se seguiu, na aula sobre a equação da reta, que a distância entre dois pontos é uma consequência do teorema de Pitágoras e que o coeficiente angular de uma reta não depende dos pontos com que se calcula, pela semelhança de triângulos. Esses dois teoremas, com a livre escolha dos eixos, a igualdade dos ângulos correspondentes entre paralelas, a soma dos ângulos de um triângulo e os ângulos do triângulo isósceles, são os fatos da geometria euclidiana que a unidade admite explicitamente ao começar, porque sua demonstração pertence à construção axiomática dessa geometria. Da invariância do coeficiente angular deduziu-se que os pontos de uma reta são exatamente as soluções de uma equação Ax+By+C=0Ax + By + C = 0; de um cálculo com as equações de duas retas, que duas retas não verticais são paralelas se e somente se têm o mesmo coeficiente angular; do teorema de Pitágoras e sua recíproca, com a igualdade dos ângulos correspondentes, que são perpendiculares se e somente se o produto de seus coeficientes angulares é −1-1; e do teorema de Pitágoras, que a perpendicular traçada de um ponto é o caminho mais curto até a reta.

A aula sobre os vetores no plano reformulou esses resultados sem depender da escolha dos eixos. Os vetores, com sua soma e seu produto por um escalar, cumprem os oito axiomas de espaço vetorial; o produto escalar decide a perpendicularidade pela condição u⃗⋅v⃗=0\vec{u} \cdot \vec{v} = 0, que já não exclui as retas verticais, e fornece a desigualdade de Cauchy-Schwarz, a desigualdade triangular e a projeção ortogonal. Daí se obtiveram a equação vetorial da reta, o vetor normal (A,B)\left( A, B \right) da reta Ax+By+C=0Ax + By + C = 0 e a fórmula da distância de um ponto a uma reta, que reaparece em quase todas as aulas posteriores:

d⁡(P,r)=∣Ax1+By1+C∣A2+B2\operatorname{d}(P, r) = \frac{\abs{A x_1 + B y_1 + C}}{\sqrt{A^2 + B^2}}

As cônicas definidas por distâncias

As cinco aulas que vieram depois aplicaram um mesmo método a quatro curvas: definir a curva por uma propriedade de distâncias, traduzi-la numa equação elevando ao quadrado e demonstrar depois a recíproca, porque elevar ao quadrado pode acrescentar pontos estranhos. A aula sobre a equação das parábolas definiu a parábola por um foco e uma diretriz, demonstrou que os gráficos dos polinômios quadráticos são exatamente as parábolas de eixo vertical e estabeleceu sua propriedade refletora; a sobre a caracterização das parábolas obteve, completando o quadrado, seus elementos em função dos coeficientes, demonstrou que o vértice é o ponto extremo e que o discriminante decide as interseções com o eixo horizontal.

A aula sobre as elipses e as circunferências definiu a elipse pela soma constante 2a2a das distâncias a dois focos, deduziu sua equação reduzida com b2=a2−c2b^2 = a^2 - c^2 e demonstrou que as distâncias de cada ponto aos focos são a+exa + ex e a−exa - ex; a circunferência revelou-se a elipse de focos coincidentes. A aula sobre a circunferência mediu a posição de um ponto por sua potência, decidiu a de uma reta comparando com o raio a distância do centro, demonstrou que a tangente é perpendicular ao raio, classificou as seis posições de duas circunferências por meio de seu eixo radical e demonstrou o teorema da potência de um ponto, do qual se seguem o teorema das cordas, o da secante e da tangente e o do centro radical. A aula sobre as hipérboles substituiu a soma pela diferença, com c2=a2+b2c^2 = a^2 + b^2, estudou as assíntotas, demonstrou que o gráfico de y=1xy = \frac{1}{x} é uma hipérbole equilátera e mostrou que uma reta paralela a uma assíntota corta a hipérbole num só ponto sem ser tangente.

A teoria unificada e as desigualdades

A aula sobre as seções cônicas reuniu as quatro curvas numa só teoria. Toda equação Ax2+Cy2+Dx+Ey+F=0Ax^2 + Cy^2 + Dx + Ey + F = 0 representa, segundo o sinal de ACAC e o do segundo membro GG que resulta do completamento dos quadrados, uma elipse, uma hipérbole, uma parábola ou um de seus casos degenerados; e o teorema do foco e da diretriz descreve a elipse, a parábola e a hipérbole como os lugares em que a razão entre a distância a um foco e a distância a uma diretriz é um número fixo ee, menor, igual ou maior que 11.

A última aula, sobre as inequações no plano e a programação linear, passou das igualdades às desigualdades. O teorema dos semiplanos assegura que a expressão Ax+By+CAx + By + C conserva seu sinal de cada lado da reta, donde o método do ponto de teste; as regiões definidas por inequações lineares são convexas, porque uma expressão linear varia ao longo de um segmento entre seus valores nos extremos; uma expressão do segundo grau que não se anula num segmento conserva nele seu sinal, e por isso o método do ponto de teste vale também para as regiões limitadas por cônicas; e uma função linear atinge seu máximo e seu mínimo sobre um polígono convexo limitado num de seus vértices. Se a região não é limitada, o ótimo pode não existir, e mesmo existindo pode não ser atingido num vértice, como numa faixa; mas se a região tem algum vértice, isto é, se não contém retas inteiras, todo ótimo que exista é atingido também num deles.

Três instrumentos atravessam toda a unidade. O primeiro é a fórmula da distância, na qual repousam todas as definições de curvas. O segundo é o completamento de quadrados, que leva cada equação do segundo grau à forma em que se leem seus elementos. O terceiro é o discriminante, que decide em todas as cônicas se uma reta as corta em dois pontos, em um ou em nenhum, e que, com a precaução das retas paralelas ao eixo da parábola ou às assíntotas da hipérbole, caracteriza as tangentes sem recorrer a limites.

A figura abaixo reúne os três trechos numa só cadeia. Cada nó da coluna é uma definição ou um teorema, numerado segundo a ordem lógica e unido por um arco aos elos precedentes que sua demonstração usa; ao redor flutuam os apoios, isto é, os princípios e os instrumentos a que a cadeia recorre repetidas vezes, cada um unido por um traço contínuo aos elos que nele se apoiam e por um traço pontilhado ao elo onde se estabelece, exceto os que se admitem ou provêm de unidades precedentes, que são desenhados como anéis. Ao clicar em um apoio, destacam-se todos os elos que o usam, e cada elo remete à aula em que é demonstrado.

Apoios da cadeia

  • AGeometria euclidiana. Admitem-se, no começo da unidade, a livre escolha dos eixos, o teorema de Pitágoras e sua recíproca, a igualdade dos ângulos correspondentes entre paralelas, o teorema de Tales e a semelhança de triângulos, a soma dos ângulos de um triângulo e a igualdade dos ângulos opostos aos lados iguais de um triângulo isósceles. Admitido sem demonstração nesta unidade.
  • BFórmula da distância. A distância entre (x1,y1)(x_1, y_1) e (x2,y2)(x_2, y_2) é (x2−x1)2+(y2−y1)2\sqrt{(x_2 - x_1)^2 + (y_2 - y_1)^2}; nela repousam todas as definições de curvas da unidade. Estabelecido em: 1. Distância e ponto médio.
  • CEquação geral da reta. Os pontos de toda reta são exatamente as soluções de uma equação Ax+By+C=0Ax + By + C = 0, com AA e BB não ambos nulos. Estabelecido em: 2. Equação da reta.
  • DDistância de um ponto a uma reta. A distância do ponto (x1,y1)(x_1, y_1) à reta Ax+By+C=0Ax + By + C = 0 é ∣Ax1+By1+C∣A2+B2\frac{\abs{A x_1 + B y_1 + C}}{\sqrt{A^2 + B^2}}. Estabelecido em: 10. Distância de um ponto a uma reta.
  • ECompletamento de quadrados. Vale ax2+bx+c=a(x+b2a)2−Δ4aax^2 + bx + c = a\left(x + \frac{b}{2a}\right)^2 - \frac{\Delta}{4a}, com Δ=b2−4ac\Delta = b^2 - 4ac; demonstrado na unidade sobre as funções algébricas. Admitido sem demonstração nesta unidade.
  • FDiscriminante. Uma equação quadrática tem duas raízes, uma dupla ou nenhuma conforme seu discriminante seja positivo, nulo ou negativo, e sem raízes o polinômio conserva o sinal de seu coeficiente dominante; demonstrado na unidade sobre as funções algébricas. Admitido sem demonstração nesta unidade.
  • GTranslação de gráficos. Substituir xx por x−hx - h e yy por y−ky - k translada um gráfico hh unidades na horizontal e kk na vertical; demonstrado na unidade sobre as funções algébricas. Admitido sem demonstração nesta unidade.
  • HRegra dos sinais. Um produto de dois fatores é positivo se eles têm o mesmo sinal e negativo se têm sinais contrários; é o fundamento dos quadros de sinais da unidade sobre as funções algébricas. Admitido sem demonstração nesta unidade.
  1. Trecho 1 As coordenadas, a reta e os vetores

    • Obter do teorema de Pitágoras a distância entre dois pontos e o ponto médio de um segmento.
    • Demonstrar que os pontos de uma reta são exatamente as soluções de uma equação do primeiro grau, e caracterizar o paralelismo e a perpendicularidade pelos coeficientes angulares.
    • Dotar os vetores do plano da soma, do produto por um escalar, da norma e do produto escalar, e deduzir a desigualdade de Cauchy-Schwarz, a desigualdade triangular e a projeção ortogonal.
    • Obter a equação vetorial da reta, seu vetor normal e a distância de um ponto a uma reta.
    1. Distância e ponto médio. A distância entre P1=(x1,y1)P_1 = (x_1, y_1) e P2=(x2,y2)P_2 = (x_2, y_2) é (x2−x1)2+(y2−y1)2\sqrt{(x_2 - x_1)^2 + (y_2 - y_1)^2}, e o ponto (x1+x22,y1+y22)\left(\frac{x_1 + x_2}{2}, \frac{y_1 + y_2}{2}\right) divide o segmento em duas metades iguais.

      Apoia-se em: A (Geometria euclidiana). Demonstrado em: A equação da reta e os sistemas cartesianos.

    2. Equação da reta. O coeficiente angular não depende dos pontos com que se calcula, e um ponto está na reta de coeficiente angular mm que passa por (x0,y0)(x_0, y_0) se e somente se y−y0=m(x−x0)y - y_0 = m(x - x_0); daí, toda reta tem uma equação Ax+By+C=0Ax + By + C = 0.

      Apoia-se em: A (Geometria euclidiana). Demonstrado em: A equação da reta e os sistemas cartesianos.

    3. Paralelas e perpendiculares. Duas retas não verticais distintas são paralelas se e somente se têm o mesmo coeficiente angular, e perpendiculares se e somente se o produto de seus coeficientes angulares é −1-1.

      Usa: 2. Equação da reta. Apoia-se em: A (Geometria euclidiana), B (Fórmula da distância). Demonstrado em: A equação da reta e os sistemas cartesianos.

    4. A perpendicular é o caminho mais curto. Se QQ é o pé da perpendicular traçada de PP à reta rr, todo outro ponto RR de rr cumpre d(P,R)>d(P,Q)d(P, R) > d(P, Q).

      Usa: 3. Paralelas e perpendiculares. Apoia-se em: A (Geometria euclidiana), B (Fórmula da distância). Demonstrado em: A equação da reta e os sistemas cartesianos.

    5. Operações com vetores. A soma de vetores e o produto por um escalar cumprem os oito axiomas de espaço vetorial, e dois vetores não nulos com u1v2−u2v1≠0u_1 v_2 - u_2 v_1 \neq 0 geram cada vetor do plano de uma única maneira.

      Demonstrado em: Vetores no plano e equações paramétricas da reta.

    6. Produto escalar e perpendicularidade. O produto escalar u⃗⋅v⃗=u1v1+u2v2\vec{u} \cdot \vec{v} = u_1 v_1 + u_2 v_2 é comutativo e distributivo, cumpre u⃗⋅u⃗=∥u⃗∥2\vec{u} \cdot \vec{u} = {\norma{\vec{u}}}^2, e dois vetores são perpendiculares se e somente se u⃗⋅v⃗=0\vec{u} \cdot \vec{v} = 0.

      Usa: 5. Operações com vetores. Apoia-se em: A (Geometria euclidiana), B (Fórmula da distância). Demonstrado em: Vetores no plano e equações paramétricas da reta.

    7. Cauchy-Schwarz e desigualdade triangular. Vale ∣u⃗⋅v⃗∣≤∥u⃗∥∥v⃗∥\abs{\vec{u} \cdot \vec{v}} \le \norma{\vec{u}} \norma{\vec{v}}, donde ∥u⃗+v⃗∥≤∥u⃗∥+∥v⃗∥\norma{\vec{u} + \vec{v}} \le \norma{\vec{u}} + \norma{\vec{v}} e, para três pontos, d(P,R)≤d(P,Q)+d(Q,R)d(P, R) \le d(P, Q) + d(Q, R).

      Usa: 6. Produto escalar e perpendicularidade. Apoia-se em: F (Discriminante). Demonstrado em: Vetores no plano e equações paramétricas da reta.

    8. Projeção ortogonal. Se v⃗\vec{v} não é nulo, há um único número tt tal que u⃗−tv⃗\vec{u} - t \vec{v} é perpendicular a v⃗\vec{v}, a saber, t=u⃗⋅v⃗∥v⃗∥2t = \frac{\vec{u} \cdot \vec{v}}{{\norma{\vec{v}}}^2}.

      Usa: 6. Produto escalar e perpendicularidade. Demonstrado em: Vetores no plano e equações paramétricas da reta.

    9. Equação vetorial e vetor normal. Os pontos da reta que passa por P0P_0 com vetor diretor d⃗\vec{d} são os pontos P0+td⃗P_0 + t \vec{d}, cada um com um único parâmetro tt; e n⃗=(A,B)\vec{n} = \left( A, B \right) é perpendicular à reta Ax+By+C=0Ax + By + C = 0, cujos pontos são os pontos PP com n⃗⋅P0P⃗=0\vec{n} \cdot \vec{P_0 P} = 0.

      Usa: 2. Equação da reta, 6. Produto escalar e perpendicularidade. Apoia-se em: C (Equação geral da reta). Demonstrado em: Vetores no plano e equações paramétricas da reta.

    10. Distância de um ponto a uma reta. A distância de (x1,y1)(x_1, y_1) à reta Ax+By+C=0Ax + By + C = 0 é ∣Ax1+By1+C∣A2+B2\frac{\abs{A x_1 + B y_1 + C}}{\sqrt{A^2 + B^2}}, e é atingida no pé da perpendicular.

      Usa: 4. A perpendicular é o caminho mais curto, 8. Projeção ortogonal, 9. Equação vetorial e vetor normal. Apoia-se em: C (Equação geral da reta). Demonstrado em: Vetores no plano e equações paramétricas da reta.

  2. Trecho 2 As cônicas definidas por distâncias

    • Definir a parábola por um foco e uma diretriz, obter sua equação e demonstrar que os gráficos dos polinômios quadráticos são exatamente as parábolas de eixo vertical.
    • Ler, completando o quadrado, o vértice da parábola e decidir com o discriminante suas interseções com o eixo horizontal.
    • Deduzir a equação reduzida da elipse e a fundamental da hipérbole, com a demonstração da recíproca, e reconhecer a circunferência como a elipse de focos coincidentes.
    • Estudar a posição de uma reta e de outra circunferência em relação a uma circunferência, e demonstrar o teorema da potência de um ponto.
    • Caracterizar as tangentes às cônicas por meio do discriminante, com a precaução das retas paralelas ao eixo ou às assíntotas, e tratar à parte as retas verticais.
    1. Equação da parábola. Os pontos que equidistam do foco (h,k+f)(h, k + f) e da diretriz y=k−fy = k - f são exatamente os da curva (x−h)2=4f(y−k)(x - h)^2 = 4f(y - k), simétrica em relação a seu eixo x=hx = h.

      Apoia-se em: B (Fórmula da distância), G (Translação de gráficos). Demonstrado em: A equação da parábola: definições e propriedades.

    2. Parábola e polinômio quadrático. Os gráficos de y=ax2+bx+cy = ax^2 + bx + c, com a≠0a \neq 0, são exatamente as parábolas de eixo vertical, com f=14af = \frac{1}{4a}, cujo valor absoluto é a distância focal.

      Usa: 11. Equação da parábola. Apoia-se em: E (Completamento de quadrados). Demonstrado em: A equação da parábola: definições e propriedades.

    3. Propriedade refletora. A tangente num ponto PP da parábola forma ângulos iguais com a paralela ao eixo traçada por PP e com a reta que une PP ao foco.

      Usa: 11. Equação da parábola. Apoia-se em: A (Geometria euclidiana), B (Fórmula da distância), F (Discriminante). Demonstrado em: A equação da parábola: definições e propriedades.

    4. Vértice e interseções com o eixo. O vértice de y=ax2+bx+cy = ax^2 + bx + c é (−b2a,−Δ4a)\left(-\frac{b}{2a}, -\frac{\Delta}{4a}\right), seu ponto mais baixo se a>0a > 0 e o mais alto se a<0a < 0, e a parábola corta o eixo xx em dois pontos, em um ou em nenhum conforme Δ\Delta seja positivo, nulo ou negativo.

      Usa: 12. Parábola e polinômio quadrático. Apoia-se em: E (Completamento de quadrados), F (Discriminante). Demonstrado em: Caracterização das parábolas e seus gráficos.

    5. Equação reduzida da elipse. Com b2=a2−c2b^2 = a^2 - c^2, a elipse de focos (±c,0)(\pm c, 0) e soma das distâncias 2a2a é exatamente a curva x2a2+y2b2=1\frac{x^2}{a^2} + \frac{y^2}{b^2} = 1, e as distâncias de cada ponto aos focos são a+caxa + \frac{c}{a} x e a−caxa - \frac{c}{a} x.

      Apoia-se em: B (Fórmula da distância). Demonstrado em: A equação da elipse e da circunferência.

    6. Equação da circunferência. A circunferência de centro (h,k)(h, k) e raio rr é a curva (x−h)2+(y−k)2=r2(x - h)^2 + (y - k)^2 = r^2, e é a elipse cujos dois focos coincidem com o centro.

      Usa: 15. Equação reduzida da elipse. Apoia-se em: B (Fórmula da distância), G (Translação de gráficos). Demonstrado em: A equação da elipse e da circunferência.

    7. Tangência à elipse. Uma reta não vertical é tangente à elipse se e somente se o discriminante da equação que resulta de substituí-la é nulo; se é positivo, a reta a corta em dois pontos, e se é negativo, não a toca. As únicas tangentes verticais são x=ax = a e x=−ax = -a.

      Usa: 15. Equação reduzida da elipse. Apoia-se em: F (Discriminante). Demonstrado em: A equação da elipse e da circunferência.

    8. Posição de uma reta. Se δ\delta é a distância do centro a uma reta, esta não toca a circunferência se δ>r\delta > r, toca-a só no pé da perpendicular se δ=r\delta = r e corta-a em dois pontos se δ<r\delta < r.

      Usa: 4. A perpendicular é o caminho mais curto, 16. Equação da circunferência. Apoia-se em: A (Geometria euclidiana), D (Distância de um ponto a uma reta), F (Discriminante). Demonstrado em: A circunferência: tangentes, posições relativas e potência.

    9. A tangente é perpendicular ao raio. Uma reta que passa por um ponto TT da circunferência é tangente se e somente se é perpendicular ao raio que une o centro a TT; por cada ponto passa uma só tangente.

      Usa: 3. Paralelas e perpendiculares, 4. A perpendicular é o caminho mais curto, 18. Posição de uma reta. Demonstrado em: A circunferência: tangentes, posições relativas e potência.

    10. Eixo radical e posições relativas. Os pontos de igual potência em relação a duas circunferências de centros distintos formam uma reta perpendicular à dos centros, e ambas têm dois pontos comuns se ∣r1−r2∣<d<r1+r2\abs{r_1 - r_2} < d < r_1 + r_2, um se dd é igual a um desses extremos, caso em que, exceto o de contato, os pontos da menor ficam dentro da maior na tangência interior e os de cada uma fora da outra na exterior, e nenhum nos demais casos.

      Usa: 3. Paralelas e perpendiculares, 7. Cauchy-Schwarz e desigualdade triangular, 16. Equação da circunferência, 18. Posição de uma reta. Apoia-se em: C (Equação geral da reta), D (Distância de um ponto a uma reta). Demonstrado em: A circunferência: tangentes, posições relativas e potência.

    11. Potência de um ponto. Se uma reta que passa por PP corta a circunferência em AA e BB, vale d(P,A)⋅d(P,B)=∣p∣d(P, A) \cdot d(P, B) = \abs{p}, com p=d2−r2p = d^2 - r^2; e de um ponto exterior saem exatamente duas tangentes, ambas de comprimento p\sqrt{p}.

      Usa: 18. Posição de uma reta, 19. A tangente é perpendicular ao raio, 20. Eixo radical e posições relativas. Apoia-se em: A (Geometria euclidiana). Demonstrado em: A circunferência: tangentes, posições relativas e potência.

    12. Equação da hipérbole. Com b2=c2−a2b^2 = c^2 - a^2, a hipérbole de focos (±c,0)(\pm c, 0) e diferença de distâncias 2a2a é exatamente a curva x2a2−y2b2=1\frac{x^2}{a^2} - \frac{y^2}{b^2} = 1, cujos ramos se aproximam das assíntotas y=±baxy = \pm \frac{b}{a} x.

      Apoia-se em: B (Fórmula da distância). Demonstrado em: A equação da hipérbole e sua dedução.

    13. Hipérbole equilátera. O gráfico de y=1xy = \frac{1}{x} é a hipérbole de focos (2,2)(\sqrt{2}, \sqrt{2}) e (−2,−2)(-\sqrt{2}, -\sqrt{2}) cujas distâncias a eles diferem em 222\sqrt{2}; é equilátera e suas assíntotas são os eixos.

      Usa: 22. Equação da hipérbole. Apoia-se em: A (Geometria euclidiana), B (Fórmula da distância). Demonstrado em: A equação da hipérbole e sua dedução.

    14. Tangência à hipérbole. Uma reta não paralela às assíntotas é tangente à hipérbole exatamente quando o discriminante é nulo; uma paralela a uma assíntota, sem coincidir com ela, corta-a num só ponto e a atravessa; e as únicas tangentes verticais são x=ax = a e x=−ax = -a.

      Usa: 22. Equação da hipérbole. Apoia-se em: F (Discriminante). Demonstrado em: A equação da hipérbole e sua dedução.

  3. Trecho 3 A teoria unificada e as desigualdades

    • Classificar as equações Ax2+Cy2+Dx+Ey+F=0Ax^2 + Cy^2 + Dx + Ey + F = 0 pelo sinal de ACAC e pelo segundo membro que resulta do completamento dos quadrados.
    • Descrever a elipse, a parábola e a hipérbole como lugares de um foco e uma diretriz, segundo sua excentricidade.
    • Demonstrar que uma expressão linear conserva seu sinal de cada lado de sua reta e fundar nisso o método do ponto de teste.
    • Provar que as regiões definidas por inequações lineares são convexas, estender o método do ponto de teste às cônicas e demonstrar que uma função linear atinge seus valores extremos sobre um polígono convexo limitado num vértice, e num vértice também sobre uma região ilimitada com vértices quando esses valores existem.
    1. Equação geral do segundo grau. Toda equação Ax2+Cy2+Dx+Ey+F=0Ax^2 + Cy^2 + Dx + Ey + F = 0, com AA e CC não ambos nulos, representa uma elipse, uma hipérbole ou uma parábola conforme ACAC seja positivo, negativo ou nulo, ou um de seus casos degenerados, entre os quais decide o segundo membro GG que resulta do completamento dos quadrados.

      Usa: 11. Equação da parábola, 15. Equação reduzida da elipse, 16. Equação da circunferência, 22. Equação da hipérbole. Apoia-se em: E (Completamento de quadrados), F (Discriminante), G (Translação de gráficos). Demonstrado em: Seções cônicas: caracterização e gráfico das três cônicas.

    2. Teorema do foco e da diretriz. Os pontos cuja distância a um foco FF é ee vezes sua distância a uma diretriz LL formam uma elipse se e<1e < 1, uma parábola se e=1e = 1 e uma hipérbole se e>1e > 1.

      Usa: 11. Equação da parábola, 15. Equação reduzida da elipse, 22. Equação da hipérbole, 25. Equação geral do segundo grau. Apoia-se em: A (Geometria euclidiana), B (Fórmula da distância), E (Completamento de quadrados). Demonstrado em: Seções cônicas: caracterização e gráfico das três cônicas.

    3. Diretrizes da elipse e da hipérbole. Na elipse e na hipérbole de excentricidade e=cae = \frac{c}{a}, a distância de cada ponto ao foco (c,0)(c, 0) é ee vezes sua distância à reta x=aex = \frac{a}{e}; a circunferência, em contrapartida, não tem diretriz.

      Usa: 15. Equação reduzida da elipse, 22. Equação da hipérbole, 26. Teorema do foco e da diretriz. Demonstrado em: Seções cônicas: caracterização e gráfico das três cônicas.

    4. Teorema dos semiplanos. A expressão Ax+By+CAx + By + C é positiva em todos os pontos de um dos lados da reta Ax+By+C=0Ax + By + C = 0 e negativa em todos os do outro; daí, o método do ponto de teste.

      Apoia-se em: C (Equação geral da reta), H (Regra dos sinais). Demonstrado em: Inequações no plano e programação linear.

    5. Expressões ao longo de um segmento. Sobre o segmento de extremos PP e QQ, uma expressão linear cumpre L(Pt)=(1−t)L(P)+tL(Q)L(P_t) = (1 - t) L(P) + t L(Q), de modo que as regiões solução dos sistemas de inequações lineares são convexas; e uma expressão do segundo grau que não se anula num segmento conserva nele seu sinal, de modo que cada cônica divide o plano em regiões, duas ou três, nas quais vale o método do ponto de teste.

      Usa: 2. Equação da reta, 28. Teorema dos semiplanos, 7. Cauchy-Schwarz e desigualdade triangular, 14. Vértice e interseções com o eixo. Apoia-se em: F (Discriminante), H (Regra dos sinais). Demonstrado em: Inequações no plano e programação linear.

    6. Teorema dos vértices. Uma função ax+by+cax + by + c atinge seu máximo e seu mínimo sobre a região, não vazia e limitada, de um sistema de inequações lineares não estritas, e cada um em algum de seus vértices; se a região não é limitada mas tem um vértice, isto é, se não contém retas inteiras, todo máximo ou mínimo que seja atingido é atingido também num vértice.

      Usa: 29. Expressões ao longo de um segmento. Demonstrado em: Inequações no plano e programação linear.

Rumo às funções transcendentes. A cadeia culmina o estudo das curvas algébricas de grau um e dois. A próxima unidade sai das funções algébricas, mas a hipérbole reaparece nela: as áreas sob y=1xy = \frac{1}{x} comportam-se como logaritmos, e o ponto (cosh⁡t,sinh⁡t)(\cosh t, \sinh t) percorre o ramo direito de x2−y2=1x^2 - y^2 = 1.