Resumo
As fórmulas da lógica proposicional são infinitas, e toda afirmação sobre todas elas exige um método que não consista em examiná-las uma por uma. Esta aula o constrói em dois andares. O primeiro é a indução sobre os números naturais, em sua forma simples e em sua forma forte, que se deduz da simples; o segundo é a indução sobre a complexidade das fórmulas, ou indução estrutural, que se justifica por indução forte sobre o comprimento. Com ela se demonstra o lema do peso da língua de círculos e discos (toda fórmula pesa e todo prefixo por palavras próprio e não vazio pesa no máximo ), e dele se deduz que nenhuma fórmula é prefixo próprio de outra e, disso, a leitura única: cada fórmula composta se decompõe de um só modo em seu disco inicial e suas duas componentes. A leitura única legitima, por fim, as definições recursivas sobre as fórmulas (comprimento, número de variáveis e de discos conectivos, subfórmulas, profundidade) e a substituição de uma subfórmula por outra.
Objetivos de aprendizagem
- Demonstrar por indução simples e por indução forte propriedades dos números naturais, verificando o caso base e localizando a falha de uma indução incorreta.
- Demonstrar que todas as fórmulas têm uma propriedade por indução sobre sua complexidade, tratando as variáveis e a única regra de formação como os únicos casos.
- Demonstrar o lema do peso e deduzir dele que nenhuma fórmula é prefixo próprio de outra e que toda fórmula composta tem leitura única.
- Definir funções sobre as fórmulas por recursão (comprimento, profundidade, subfórmulas, substituição) e demonstrar por indução relações entre elas.
Afirmações sobre todas as fórmulas
Na aula sobre a linguagem da lógica proposicional, as fórmulas foram construídas a partir de dois símbolos, e , que chamamos círculo e disco, e de uma só regra de formação. Há infinitas fórmulas, e muitas das afirmações que importam referem-se a todas: que toda fórmula termina com um disco, que nenhuma fórmula se lê de duas maneiras, que em toda fórmula há uma variável a mais que discos conectivos. Tais afirmações não são fórmulas da linguagem que estudamos, mas enunciados sobre ela, formulados na metalinguagem (o português, auxiliado pela notação matemática); sua demonstração não é, portanto, uma dedução dentro de um sistema formal, mas um raciocínio matemático ordinário cujo objeto é o sistema formal. Por isso são chamadas demonstrações metateóricas ou externas.
Ora, nenhuma quantidade de exemplos verificados demonstra uma afirmação sobre infinitos objetos. Segue-se que é preciso um princípio que permita concluir, a partir de um número finito de verificações, que uma propriedade vale em infinitos casos. Esse princípio é a indução. Apresenta-se primeiro sobre os números naturais, onde é mais familiar, e depois sobre as fórmulas, onde se apoia na anterior. O mesmo instrumento demonstrará, na unidade de metateoria, a correção e a completude do sistema dedutivo.
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