Resumo
Esta aula prepara o ambiente com que se trabalha em todo o curso. Explica o que é uma distribuição de TeX e qual convém em cada sistema operacional: TeX Live, MiKTeX ou MacTeX; distingue a instalação completa da básica e mostra como se instalam depois os pacotes que faltam. Apresenta o Texmaker, o editor do curso, com sua janela, a escolha do LuaLaTeX como compilador, a codificação UTF-8 e a sincronização entre o código-fonte e o PDF; apresenta também o Overleaf, a alternativa no navegador, com suas vantagens e seus limites. Percorre a primeira compilação, com a pasta do projeto, os arquivos auxiliares que ela deixa e as razões pelas quais um PDF pode não se atualizar, e termina com dois documentos de teste que verificam que a instalação funciona, o segundo com grego e uma fonte escolhida pelo nome.
Objetivos de aprendizagem
- Explicar o que contém uma distribuição de TeX e escolher uma de acordo com o sistema operacional, o espaço disponível e a conexão.
- Configurar o Texmaker para compilar com LuaLaTeX, salvar em UTF-8 e passar do código-fonte ao PDF e do PDF ao código-fonte.
- Configurar um projeto do Overleaf para compilar com LuaLaTeX e reconhecer o que o distingue de uma instalação local.
- Explicar para que serve cada arquivo auxiliar de uma compilação e decidir quais se conservam.
- Diagnosticar, a partir do log, por que um documento não compila ou por que uma alteração não aparece no PDF.
A distribuição
Na aula anterior, viu-se que o LaTeX precisa de um motor. Ora, um motor sozinho não basta: precisa também dos arquivos do LaTeX, dos pacotes que o documento carrega, das fontes, dos padrões de hifenização de cada idioma e de vários programas auxiliares, como o Biber para a bibliografia. Uma distribuição de TeX reúne tudo isso numa instalação coerente e traz um gerenciador de pacotes que instala o que falta e atualiza o que já está instalado. Há três distribuições de uso geral, e as três são gratuitas.
- O TeX Live, mantido pelos grupos de usuários de TeX, funciona em Linux, Windows e macOS e publica uma versão nova a cada ano. Seu gerenciador de pacotes é o comando
tlmgr. Por padrão, seu instalador instala tudo, vários gigabytes; é possível escolher um esquema menor, ao custo de instalar depois o que faltar. - O MiKTeX é a distribuição mais usada no Windows, embora também exista para Linux e macOS. Seu instalador básico é pequeno, e seu traço distintivo é instalar os pacotes sob demanda: se um documento carrega um pacote ausente, o MiKTeX o baixa durante a compilação, conforme a preferência escolhida na instalação (perguntar antes, sempre ou nunca). Suas atualizações são gerenciadas com seu console, o MiKTeX Console.
- O MacTeX é a forma recomendada de instalar o TeX Live no macOS: um instalador próprio do sistema que instala a versão completa. Existe ainda o BasicTeX, uma versão reduzida para quem só quer experimentar.
A diferença entre a instalação completa e a básica é uma escolha entre espaço e comodidade. A completa ocupa vários gigabytes e demora a instalar, às vezes horas se for baixada pela rede; em troca, qualquer documento compila sem procurar mais nada, também sem conexão. A básica ocupa pouco, mas cada pacote ou fonte que ela não incluir deverá ser instalado quando for preciso: no MiKTeX, sob demanda, desde que haja conexão; no TeX Live, com um comando como o seguinte.
Numa instalação própria do TeX Live, estes comandos são digitados no terminal. O primeiro instala o pacote reledmac, das edições críticas; o segundo atualiza o próprio gerenciador e todos os pacotes instalados.
tlmgr install reledmactlmgr update --self --allSe o TeX Live foi instalado para todo o sistema, os comandos exigem permissões de administrador; se foi instalado numa pasta do usuário, não.
No Linux há mais um caminho. As distribuições de Linux, como Debian, Ubuntu ou Fedora, oferecem o TeX Live em seus próprios repositórios, dividido em muitos pacotes do sistema que se instalam com o gerenciador habitual. É a via mais simples, mas tem duas consequências. Primeiro, esses pacotes costumam ser mais antigos que a última versão do TeX Live, porque seguem o calendário da distribuição de Linux. Segundo, nessas instalações não se usa o tlmgr para acrescentar pacotes: o que falta é instalado com o gerenciador do sistema. Se for necessária a versão mais recente, pode-se instalar o TeX Live com seu próprio instalador, o que a documentação do TeX Live chama de instalação nativa; ambas podem conviver no mesmo computador, e a que se usa é a que aparece primeiro no caminho de busca de programas.
No Debian e no Ubuntu, o comando seguinte instala o TeX Live completo a partir dos repositórios do sistema, com permissões de administrador.
sudo apt install texlive-fullAs versões reduzidas formam-se combinando pacotes menores; para este curso convém a completa, porque inclui todos os idiomas, entre eles o grego, e todas as fontes livres do TeX Live.
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