Probabilidade Condicional e Independência entre Eventos
Resumo
Nesta sessão, exploraremos o conceito de probabilidade condicional e a interação entre eventos. Vamos adquirir as habilidades para calcular probabilidades condicionais e determinar a dependência ou independência entre eventos. Aplicaremos exemplos práticos, como o estudo da prevalência de cáries em consumidores de doces, para ilustrar esses conceitos. Ao concluir, você terá uma clara compreensão de como aplicar a probabilidade condicional e analisar eventos dependentes e independentes.
OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM:
Ao finalizar esta aula, você será capaz de:
- Compreender a definição de probabilidade condicional e sua relação com a interseção de eventos e as probabilidades individuais.
- Identificar associações positivas e negativas entre eventos a partir da comparação de probabilidades condicionais.
- Testar a independência entre diferentes eventos.
ÍNDICE DE CONTEÚDOS
A PROBABILIDADE CONDICIONAL
DEFINIÇÃO FORMAL DE PROBABILIDADE CONDICIONAL
RELAÇÃO ENTRE EVENTOS
INDEPENDÊNCIA ENTRE EVENTOS E COMPLEMENTOS DE EVENTOS
A Probabilidade Condicional
Qual é a probabilidade de que um evento A ocorra dado que já ocorreu B? O cálculo desse tipo de probabilidades envolve o conceito de probabilidade condicional. A seguir, estudaremos a probabilidade condicional, sua definição e como a partir disso se inferem as relações de dependência e independência entre eventos.
Suponhamos que queremos medir a prevalência de cáries entre os consumidores habituais de doces. Se examinarmos um espaço amostral formado por N pessoas \Omega_N, veremos que ele pode ser dividido em 4 subconjuntos:
- A:=\left\{ {Pessoas\;que\;têm\;cáries}\right\}
- A^c:=\left\{{Pessoas\;que\;NÃO\;têm\;cáries}\right\}
- B:=\left\{ {Pessoas\;que\;comem\;doces\;regularmente}\right\}
- B^c:=\left\{{Pessoas\;que\;NÃO\;comem\;doces\;regularmente}\right\}
A partir disso, é claro que A\cup A^c = \Omega_N e B\cup B^c = \Omega_N, mas A\cap B não é necessariamente vazio. O cenário geral é representado pela figura a seguir:
Então, se lembrarmos a definição de probabilidade como o limite das frequências relativas, poderemos dizer que a probabilidade de que uma pessoa tenha cáries dado que se comprovou que consome doces, P(A|B) será:
P(A|B) =\displaystyle \frac{\#(A\cap B)}{\#B}
Por outro lado, tem-se que:
P(A\cap B) = \displaystyle \frac{\#(A\cap B)}{\#\Omega_N}
↳ \#(A\cap B) = \#\Omega_N P(A\cap B)
P(B) =\displaystyle \frac{\#B}{\#\Omega_N}
↳ \#B = \#\Omega_N P(B)
De modo que, se substituirmos essas duas últimas expressões em P(A|B), teremos:
P(A|B) = \displaystyle \frac{\#\Omega_N P(A\cap B)}{\#\Omega_N P(B)} = \frac{P(A\cap B)}{P(B)}
Com isso, temos a seguinte definição:
Definição formal de probabilidade condicional
DEFINIÇÃO: Define-se a probabilidade de A, dado que ocorreu B, P(A|B), através da relação:
P(A|B) = \displaystyle \frac{P(A\cap B)}{P(B)}■
No pensamento cotidiano, tende-se a haver certa confusão entre P(A|B) e P(B|A). Para esclarecer essa diferença, vamos revisar um exemplo baseado em um caso extremo: Observe que, enquanto todos os futebolistas têm duas pernas, apenas uma pequena parte das pessoas com duas pernas são futebolistas.
Relação entre eventos
Continuando com o exemplo da prevalência de cáries entre pessoas que consomem doces habitualmente. Se o consumo de doces faz com que as pessoas sejam mais propensas a ter cáries, então deveria ocorrer que:
P(A|B) \gt P(A).Aqui temos que B potencializa A e, portanto, dizemos que há uma associação positiva entre os eventos.
Se, por outro lado, o consumo de doces previne as cáries, então deveríamos ter:
P(A|B) \lt P(A).Neste caso, B inibe A e, portanto, dizemos que há uma associação negativa entre os eventos.
E se não houvesse nenhuma relação entre esses dois eventos, nem positiva nem negativa, então deveríamos ter que:
P(A|B) = P(A).Daqui, faz-se a inferência que, na maioria dos textos de probabilidade, é apresentada como definição:
| P(A|B) = P(A) | |
| \equiv | \displaystyle \frac{P(A\cap B)}{P(B)} = P(A) |
| \equiv | P(A\cap B)= P(A) P(B) |
Esse raciocínio nos mostra a relação entre a probabilidade condicional e a independência dos eventos.
DEFINIÇÃO:Dado dois eventos A e B, eles são ditos independentes se satisfazem a relação:
\color{black}{P(A\cap B)= P(A) P(B)}■
Independência entre eventos e complementos de eventos
A independência entre dois eventos A e B é provada equivalente à independência de A com B^c, a de A^c com B, e a de A^c com B^c.
DEMONSTRAÇÃO
| (1) | \{P(A\cap B) = P(A)P(B)\}\vdash P(A\cap B) = P(A)P(B) | ; Pressuposição |
| (2) | \{P(A\cap B) = P(A)P(B)\}\vdash P(A\cap B^c) = P(A\setminus B) | ; porque A\cap B^c := A\setminus B |
| (3) | \{P(A\cap B) = P(A)P(B)\}\vdash P(A\setminus B)= P(A) - P(A\cap B) | ; Ver desenvolvimento do exercício 2 |
| (4) | \{P(A\cap B) = P(A)P(B)\}\vdash P(A\cap B^c)= P(A) - P(A\cap B) | ; De (2) e (3) |
| (5) | \{P(A\cap B) = P(A)P(B)\}\vdash P(A\cap B^c)= P(A) - P(A)P(B) | ; De (1) e (4) |
| \{P(A\cap B) = P(A)P(B)\}\vdash P(A\cap B^c)= P(A)(1 -P(B)) | ; Fatorando por P(A) | |
| \color{red}{\{P(A\cap B) = P(A)P(B)\}\vdash P(A\cap B^c)= P(A)P(B^c)} | ; ver desenvolvimento do exercício 1 |
Essa última expressão se lê como: “Do fato de que A e B são independentes, infere-se que A e B^c também são independentes.
A demonstração no sentido inverso é feita de forma semelhante.
| (1) | \{P(A\cap B^c) = P(A)P(B^c)\}\vdash P(A\cap B^c) = P(A)P(B^c) | ; Pressuposição |
| \{P(A\cap B^c) = P(A)P(B^c)\}\vdash P(A\cap B^c) = P(A)(1 - P(B)) | ; ver desenvolvimento do exercício 1 | |
| \{P(A\cap B^c) = P(A)P(B^c)\}\vdash P(A\cap B^c) = P(A) - P(A)P(B) | ; Realizando o produto do parêntese no lado direito. | |
| (2) | \{P(A\cap B^c) = P(A)P(B^c)\}\vdash P(A\cap B^c) = P(A\setminus B) | ; Porque A\setminus B := A\cap B^c. |
| (3) | \{P(A\cap B^c) = P(A)P(B^c)\}\vdash P(A\setminus B) = P(A) - P(A\cap B) | ; Ver desenvolvimento do exercício 2 |
| (4) | \{P(A\cap B^c) = P(A)P(B^c)\}\vdash P(A) - P(A)P(B) = P(A) - P(A\cap B) | ; De (1), (2) e (3) |
| \color{red}{\{P(A\cap B^c) = P(A)P(B^c)\}\vdash P(A)P(B) = P(A\cap B)} | ; Eliminando termos semelhantes |
E essa expressão se lê como: “Do fato de que A e B^c são independentes, infere-se que A e B também são independentes.
Finalmente, desses dois raciocínios, tem-se a equivalência provada entre as independências de A com B e a de A com B^c.
As outras equivalências provadas podem ser obtidas de forma semelhante. Estas serão deixadas como um desafio para o leitor >:D
