Máximos e Mínimos de uma Função
Onde está o “melhor” ponto de uma função: o máximo que você deseja alcançar ou o mínimo que precisa evitar? Essa pergunta, que aparece em otimização, física, economia e engenharia, é uma das principais aplicações do cálculo diferencial. E aqui vem o ponto central: o Teorema de Weierstrass assegura que, se f é contínua e você trabalha em um intervalo fechado e limitado, então os extremos absolutos existem. A partir daí, o processo torna-se prático: aprender a identificar extremos locais por meio de pontos críticos (f'(x)=0 ou não existe) e utilizar ferramentas como Rolle e o Teorema do Valor Médio para transformar uma busca “às cegas” em um método claro, verificável e eficiente.
Objetivos de Aprendizagem:
- Executar um procedimento completo para encontrar extremos absolutos em [a,b]: avaliar f em pontos críticos interiores e nos extremos do intervalo, e comparar valores para decidir máximo e mínimo absolutos.
- Contrastar o valor de uma condição necessária versus suficiente: reconhecer que “f'(x_0)=0” não garante extremo local, e decidir quais evidências adicionais (comparação de valores, análise de sinais, comportamento local) são pertinentes em cada caso.
- Determinar a estratégia mais eficiente de acordo com o tipo de problema: extremos absolutos em intervalos compactos (Weierstrass + avaliação finita) versus extremos locais em pontos interiores (pontos críticos + análise local), justificando a escolha.
ÍNDICE DE CONTEÚDOS:
Máximos e mínimos, extremos absolutos e locais
Critério da 1ª Derivada
O Teorema de Rolle
O Teorema do Valor Médio Diferencial
Intervalos de crescimento e decrescimento
O Teorema de Weierstrass assegura que, se uma função real está definida e é contínua em um subconjunto fechado e limitado de \mathbb{R}, então necessariamente atinge valores máximo e mínimo (extremos absolutos). A busca por máximos e mínimos de uma função é o que se conhece como um problema de otimização, e o teorema de Weierstrass garante a existência de soluções no sentido de extremos absolutos, desde que a função seja contínua e o domínio seja compacto. Tendo a existência assegurada, resta agora desenvolver estratégias que permitam encontrar essas soluções.
Máximos e mínimos, extremos absolutos e locais
Antes de começar a revisar estratégias para a busca de máximos e mínimos, definamos com clareza o que queremos procurar.
DEFINIÇÃO: \left( \forall x \in D \right)\bigl(f(x) \leq f(x_0)\bigr) e atingirá um mínimo absoluto em x_0 se: \left( \forall x \in D \right)\bigl( f(x_0) \leq f(x)\bigr) |
De forma análoga definem-se os extremos locais (relativos ao domínio).
DEFINIÇÃO: (\exists h>0)\left( \forall x\in [x_0-h, x_0+h] \cap D \right)\bigl(f(x) \leq f(x_0)\bigr) e atingirá um mínimo local em x_0 se: (\exists h>0)\left( \forall x\in [x_0-h, x_0+h] \cap D \right)\bigl( f(x_0) \leq f(x)\bigr) |
A partir disso, podemos enunciar o seguinte resultado:
TEOREMA: |
DEMONSTRAÇÃO: f(x_0 + h)\leq f(x_0) o que é equivalente a: f(x_0 + h) - f(x_0)\leq 0 Consideremos agora dois casos:
Se f^\prime(x_0) existe, então o limite do quociente incremental quando h\to 0 existe e deve ser compatível com ambas as desigualdades, o que obriga que: \displaystyle f^\prime(x_0)=\lim_{h\to 0}\frac{f(x_0 + h) - f(x_0)}{h}= 0 Que é o que se queria demonstrar. |
Deve-se notar que esta demonstração também é válida para mínimos locais. Nesse caso, inicia-se com: f(x_0+h)\ge f(x_0) para |h| suficientemente pequeno.
Critério da 1ª Derivada
O resultado que acabamos de revisar pode ser resumido na seguinte implicação:
\left\{\begin{matrix}f \text{ atinge um}\\ \text{extremo local em }x_0 \end{matrix}\right\} \Longrightarrow \left\{\begin{matrix} \displaystyle f^\prime(x_0) = 0 \\ \\ \vee \\ \\ \text{A derivada não existe em }x_0 \end{matrix}\right\}
Embora o recíproco dessa implicação não seja verdadeiro em geral, ela é muito útil na delimitação da busca por extremos locais. Em função disso, definem-se os pontos críticos da primeira derivada.
DEFINIÇÃO: |
Os pontos críticos da primeira derivada são relevantes porque todo ponto em que a função extremiza (local ou absolutamente) deve pertencer ao conjunto de pontos críticos:
\left\{\begin{matrix}\text{pontos que}\\ \text{extremizam absolutamente}\end{matrix}\right\} \subseteq \left\{\begin{matrix}\text{pontos que}\\ \text{extremizam localmente}\end{matrix}\right\} \subseteq \left\{\begin{matrix}\text{pontos críticos da}\\ \text{primeira derivada}\end{matrix}\right\}
Isso é o que chamamos de critério da primeira derivada, entendido como uma condição necessária para a existência de extremos locais em pontos interiores.
O Teorema de Rolle
Já vimos que a determinação de pontos críticos da primeira derivada é fundamental na busca por extremos locais. Por esse motivo, é natural investigar sob quais condições se pode assegurar a existência de tais pontos críticos. Um avanço nesse sentido vem com o teorema de Rolle.
TEOREMA: |
DEMONSTRAÇÃO:
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O Teorema do Valor Médio Diferencial
Outro resultado que é consequência direta daqueles que acabamos de revisar, e que fornece informação útil para o estudo das funções, é o teorema do valor médio para o cálculo diferencial.
TEOREMA: f^\prime(c) =\displaystyle \frac{f(b) - f(a)}{b-a} |
DEMONSTRAÇÃO: F(x) = f(x) - \displaystyle \frac{f(b) - f(a)}{b-a}(x-a) Essa função é contínua em [a,b] e derivável em ]a,b[ porque f também o é. Além disso, F(a)=F(b), de modo que podemos utilizar o teorema de Rolle para concluir que existe um ponto c\in]a,b[ tal que F^\prime(c)=0. Agora, derivando F obtém-se: F^\prime(x) = f^\prime(x) - \displaystyle\frac{f(b) - f(a)}{b-a} Avaliando em c e utilizando F^\prime(c)=0: 0=F^\prime(c) = f^\prime(c) - \displaystyle\frac{f(b) - f(a)}{b-a} Em seguida: f^\prime(c) = \displaystyle\frac{f(b) - f(a)}{b-a} que é o que se queria demonstrar. |
Intervalos de crescimento e decrescimento
TEOREMA:
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DEMONSTRAÇÃO: f^\prime(c) = \displaystyle\frac{f(x_2) - f(x_1)}{x_2 - x_1} A partir disso:
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Estudar máximos e mínimos não é apenas “fazer derivadas”, mas aprender a transformar uma busca difusa em um procedimento com garantias e critérios claros. Weierstrass indica quando se pode confiar que o ótimo existe em um intervalo compacto, enquanto o critério da primeira derivada, Rolle e o Teorema do Valor Médio fornecem o mapa para encontrar candidatos e justificar conclusões: onde uma função pode extremizar, quando essa condição é apenas necessária e como o sinal de f' revela crescimento e decrescimento. Ao dominar essa cadeia de ideias, passa-se de observar gráficos com intuição para resolver problemas de otimização com argumentos verificáveis, o que é exatamente a diferença entre “acho que aqui está o melhor ponto” e “sei por que ele deve estar aqui”.
