Máximos e Mínimos de uma Função

Máximos e Mínimos de uma Função

Máximos e Mínimos de uma Função

Onde está o “melhor” ponto de uma função: o máximo que você deseja alcançar ou o mínimo que precisa evitar? Essa pergunta, que aparece em otimização, física, economia e engenharia, é uma das principais aplicações do cálculo diferencial. E aqui vem o ponto central: o Teorema de Weierstrass assegura que, se f é contínua e você trabalha em um intervalo fechado e limitado, então os extremos absolutos existem. A partir daí, o processo torna-se prático: aprender a identificar extremos locais por meio de pontos críticos (f'(x)=0 ou não existe) e utilizar ferramentas como Rolle e o Teorema do Valor Médio para transformar uma busca “às cegas” em um método claro, verificável e eficiente.

Objetivos de Aprendizagem:

  1. Executar um procedimento completo para encontrar extremos absolutos em [a,b]: avaliar f em pontos críticos interiores e nos extremos do intervalo, e comparar valores para decidir máximo e mínimo absolutos.
  2. Contrastar o valor de uma condição necessária versus suficiente: reconhecer que “f'(x_0)=0” não garante extremo local, e decidir quais evidências adicionais (comparação de valores, análise de sinais, comportamento local) são pertinentes em cada caso.
  3. Determinar a estratégia mais eficiente de acordo com o tipo de problema: extremos absolutos em intervalos compactos (Weierstrass + avaliação finita) versus extremos locais em pontos interiores (pontos críticos + análise local), justificando a escolha.

ÍNDICE DE CONTEÚDOS:
Máximos e mínimos, extremos absolutos e locais
Critério da 1ª Derivada
O Teorema de Rolle
O Teorema do Valor Médio Diferencial
Intervalos de crescimento e decrescimento

O Teorema de Weierstrass assegura que, se uma função real está definida e é contínua em um subconjunto fechado e limitado de \mathbb{R}, então necessariamente atinge valores máximo e mínimo (extremos absolutos). A busca por máximos e mínimos de uma função é o que se conhece como um problema de otimização, e o teorema de Weierstrass garante a existência de soluções no sentido de extremos absolutos, desde que a função seja contínua e o domínio seja compacto. Tendo a existência assegurada, resta agora desenvolver estratégias que permitam encontrar essas soluções.


Máximos e mínimos, extremos absolutos e locais

Antes de começar a revisar estratégias para a busca de máximos e mínimos, definamos com clareza o que queremos procurar.

DEFINIÇÃO:
Seja f uma função com domínio D. Diremos que f atinge um máximo absoluto em um ponto x_0\in D se:

\left( \forall x \in D \right)\bigl(f(x) \leq f(x_0)\bigr)

e atingirá um mínimo absoluto em x_0 se:

\left( \forall x \in D \right)\bigl( f(x_0) \leq f(x)\bigr)

De forma análoga definem-se os extremos locais (relativos ao domínio).

DEFINIÇÃO:
Seja f uma função com domínio D e seja x_0\in D. Diremos que f atinge um máximo local em x_0 se:

(\exists h>0)\left( \forall x\in [x_0-h, x_0+h] \cap D \right)\bigl(f(x) \leq f(x_0)\bigr)

e atingirá um mínimo local em x_0 se:

(\exists h>0)\left( \forall x\in [x_0-h, x_0+h] \cap D \right)\bigl( f(x_0) \leq f(x)\bigr)

A partir disso, podemos enunciar o seguinte resultado:

TEOREMA:

Seja x_0 um ponto
interior de um intervalo compacto I. Se f atinge um máximo ou mínimo local em x_0 e f^\prime(x_0) existe, então f^\prime(x_0)=0.

DEMONSTRAÇÃO:
Suponhamos que f atinge um máximo local em x_0. Então existe h_0 \gt 0 tal que, para todo h com |h|\lt h_0 e com x_0+h\in I, vale:

f(x_0 + h)\leq f(x_0)

o que é equivalente a:

f(x_0 + h) - f(x_0)\leq 0

Consideremos agora dois casos:

  • Se h>0, então:

    \displaystyle \frac{f(x_0 + h) - f(x_0)}{h}\leq 0

  • Se h\lt 0, então:

    \displaystyle \frac{f(x_0 + h) - f(x_0)}{h}\geq 0

Se f^\prime(x_0) existe, então o limite do quociente incremental quando h\to 0 existe e deve ser compatível com ambas as desigualdades, o que obriga que:

\displaystyle f^\prime(x_0)=\lim_{h\to 0}\frac{f(x_0 + h) - f(x_0)}{h}= 0

Que é o que se queria demonstrar.

Deve-se notar que esta demonstração também é válida para mínimos locais. Nesse caso, inicia-se com: f(x_0+h)\ge f(x_0) para |h| suficientemente pequeno.


Critério da 1ª Derivada


O resultado que acabamos de revisar
pode ser resumido na seguinte implicação:

\left\{\begin{matrix}f \text{ atinge um}\\ \text{extremo local em }x_0 \end{matrix}\right\} \Longrightarrow \left\{\begin{matrix} \displaystyle f^\prime(x_0) = 0 \\ \\ \vee \\ \\ \text{A derivada não existe em }x_0 \end{matrix}\right\}

Embora o recíproco dessa implicação não seja verdadeiro em geral, ela é muito útil na delimitação da busca por extremos locais. Em função disso, definem-se os pontos críticos da primeira derivada.

DEFINIÇÃO:
Diz-se que x_0 é um ponto crítico da primeira derivada se f^\prime(x_0)=0 ou se f^\prime(x_0) não existe.

Os pontos críticos da primeira derivada são relevantes porque todo ponto em que a função extremiza (local ou absolutamente) deve pertencer ao conjunto de pontos críticos:

\left\{\begin{matrix}\text{pontos que}\\ \text{extremizam absolutamente}\end{matrix}\right\} \subseteq \left\{\begin{matrix}\text{pontos que}\\ \text{extremizam localmente}\end{matrix}\right\} \subseteq \left\{\begin{matrix}\text{pontos críticos da}\\ \text{primeira derivada}\end{matrix}\right\}

Isso é o que chamamos de critério da primeira derivada, entendido como uma condição necessária para a existência de extremos locais em pontos interiores.


O Teorema de Rolle


Já vimos que a determinação
de pontos críticos da primeira derivada é fundamental na busca por extremos locais. Por esse motivo, é natural investigar sob quais condições se pode assegurar a existência de tais pontos críticos. Um avanço nesse sentido vem com o teorema de Rolle.

TEOREMA:
Seja f uma função definida e contínua em [a,b], e derivável em ]a,b[. Se f(a)=f(b), então existe um c\in]a,b[ tal que f^\prime(c)=0.

DEMONSTRAÇÃO:
Analisaremos duas possibilidades:

  1. Se, para todo x\in]a,b[, vale f(x)=f(a)=f(b), então f é constante e, consequentemente, f^\prime(x)=0 para todo x\in]a,b[. Em particular, existe um c\in]a,b[ com f^\prime(c)=0.
  2. Se existe x\in]a,b[ tal que f(x)\neq f(a)=f(b), então f não é constante. Como f é contínua em [a,b], pelo teorema de Weierstrass atinge um máximo absoluto e um mínimo absoluto em [a,b].

    Além disso, como f(a)=f(b) e f não é constante, ao menos um desses extremos deve ocorrer no interior ]a,b[.

    Assim, se c\in]a,b[ é um ponto interior onde f atinge um extremo local. Como f é derivável em ]a,b[, em particular existe f^\prime(c), e pelo teorema anterior conclui-se que f^\prime(c)=0.


O Teorema do Valor Médio Diferencial


Outro resultado que é consequência direta
daqueles que acabamos de revisar, e que fornece informação útil para o estudo das funções, é o teorema do valor médio para o cálculo diferencial.

TEOREMA:
Seja f uma função definida e contínua em [a,b], e derivável em ]a,b[. Então existe um c\in]a,b[ tal que:

f^\prime(c) =\displaystyle \frac{f(b) - f(a)}{b-a}

DEMONSTRAÇÃO:
Seja F a função definida por:

F(x) = f(x) - \displaystyle \frac{f(b) - f(a)}{b-a}(x-a)

Essa função é contínua em [a,b] e derivável em ]a,b[ porque f também o é. Além disso, F(a)=F(b), de modo que podemos utilizar o teorema de Rolle para concluir que existe um ponto c\in]a,b[ tal que F^\prime(c)=0.

Agora, derivando F obtém-se:

F^\prime(x) = f^\prime(x) - \displaystyle\frac{f(b) - f(a)}{b-a}

Avaliando em c e utilizando F^\prime(c)=0:

0=F^\prime(c) = f^\prime(c) - \displaystyle\frac{f(b) - f(a)}{b-a}

Em seguida:

f^\prime(c) = \displaystyle\frac{f(b) - f(a)}{b-a}

que é o que se queria demonstrar.


Intervalos de crescimento e decrescimento

TEOREMA:

  • Se f é uma função tal que (\forall x\in ]a,b[)\left(0\lt f^\prime(x)\right), então f é estritamente crescente em ]a,b[.
  • Se f é uma função tal que (\forall x\in ]a,b[)\left(f^\prime(x)\lt 0\right), então f é estritamente decrescente em ]a,b[.

DEMONSTRAÇÃO:
Sejam x_1,x_2\in ]a,b[ tais que x_1 \lt x_2. Como f é derivável em ]a,b[, podemos aplicar o teorema do valor médio a f sobre o intervalo [x_1,x_2]\subset ]a,b[. Em consequência, existe um ponto c\in]x_1,x_2[ tal que:

f^\prime(c) = \displaystyle\frac{f(x_2) - f(x_1)}{x_2 - x_1}

A partir disso:

  • Se f^\prime(c) \gt 0, então f(x_2) - f(x_1) = f^\prime(c)(x_2 - x_1) \gt 0.
    Portanto, f é crescente.
  • Se f^\prime(c) \lt 0, então f(x_2) - f(x_1) = f^\prime(c)(x_2 - x_1) \lt 0.
    Portanto, f é decrescente.

Estudar máximos e mínimos não é apenas “fazer derivadas”, mas aprender a transformar uma busca difusa em um procedimento com garantias e critérios claros. Weierstrass indica quando se pode confiar que o ótimo existe em um intervalo compacto, enquanto o critério da primeira derivada, Rolle e o Teorema do Valor Médio fornecem o mapa para encontrar candidatos e justificar conclusões: onde uma função pode extremizar, quando essa condição é apenas necessária e como o sinal de f' revela crescimento e decrescimento. Ao dominar essa cadeia de ideias, passa-se de observar gráficos com intuição para resolver problemas de otimização com argumentos verificáveis, o que é exatamente a diferença entre “acho que aqui está o melhor ponto” e “sei por que ele deve estar aqui”.

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